A Rica Língua Portuguesa do Brasil

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Hoje o dia não cabe um texto internacional. Para o dia da independência, venho falar de diversidade cultural

Penso que andei muito distraída por todo o tempo que convivi apenas com meus conterrâneos paulistanos, ou pessoas que por alguma razão, tinham “fluência em paulistanês”.

Nos anos em que vivi em Londres, além do paulistanês, meu vocabulário ganhou muitas palavras sulistas dos colegas e amigos catarinenses, gaúchos e paranaenses. Para quem pensava que minha literatura estava enriquecida, estava bem enganado.

No último ano, convivi com dezenas de nortistas e nordestinos, além de minha rodinha de amigos do centro-oeste e, foi nestes grupos que descobri que “meu” português estava pela metade.

Eu ganhava um “cheiro” todos os dias quando chegava ao trabalho. Eles afofavam minha alma com palavras carinhosas.

Alguns me contavam dos clientes “xexeiros” que faziam “piranguices” para não pagar aquilo que deviam. Mais tarde, descobri que eram os caloteiros que faziam manobras para se livrar das contas.

Um dia eu procurava por “cândida”. Eu queria desinfetar meu departamento pois ali havia estado um senhor que teoricamente estava positivo para Covid-19. Perguntei para alguns colegas que arregalaram os olhos com meu linguajar. No final do dia perguntei o porquê de tanto choque quando eu procurava o produto de limpeza. “Ah…. branquinha!” – um colega indagou. Depois, alguém me explicou que na cidade natal de alguns, eles usam a mesma expressão para doenças sexualmente transmissíveis.

Muitos colegas ao término do dia diziam: “vou fazer feira”. Eu fui me empolgando até que um dia não podia mais lidar com a vontade de comer um pastel de queijo e um suco de cana. Perguntei: “onde você faz sua feira?” – para um de meus colegas. Quando descobri que o que eu chamava por uma vida de “ir ao mercado” era a mesma coisa que fazer feira.

Já uma de minhas colegas saia sempre com muita pressa pois precisava passar a “farda” do marido. Um dia, ela esqueceu uma pasta em sua mesa e como era caminho de minha casa, me voluntariei para entregar. Enquanto eu estacionava, um senhor saia pela porta da frente com o uniforme do supermercado, mas ela, uma senhora muito amável, correu para me apresentar o marido. Eu, sempre muito curiosa, perguntei – “seu marido não está no exército?”. Ela não entendeu a pergunta e eu segui, sem trava na língua. “Todos os dias, você sai correndo para passar a farda dele”. Rimos muito, mas foi naquele momento em que descobri que farda no Nordeste significa uniforme.

Incrível mesmo é descobrir a cada dia que somos um país composto por mais de 20 países, e que contamos com uma diversidade cultural tão colorida, que enriquece nossa história.

E não posso encerrar esse texto sem contar que o cuscuz do nordestino e o cuscuz do paulistano são coisas completamente distintas.

O deles é bem mais gostoso do que o nosso!

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