A SOLIDÃO INTERNACIONAL DO BRASIL

Os últimos tempos não têm sido bons para o Brasil no que diz respeito às relações internacionais, e isso se dá pela derrota e enfraquecimento de aliados ideológicos e oportunistas do governo brasileiro atual.

Mandado para casa depois de 12 anos no poder, o ex Primeiro Ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, era um dos mais antigos e próximos parceiros do governo brasileiro. Ao ser removido avisou o Presidente do Brasil, em recado transmitido ao então Embaixador do Brasil em Israel, de que corre o risco real de ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, tanto pela prática de crimes contra a humanidade durante a pandemia da Covid-19, quanto pelo genocídio dos povos indígenas.

Quando os olhares se voltam para mais perto, observa-se que o Presidente do Chile, Sebástián Piñera, admirado pelo governo brasileiro por representar a direita altiva e o empresariado local, enfraqueceu-se depois da onda de protestos que levou o país a elaborar às pressas uma nova constituição, e vem, estrategicamente, cada vez mais, afastando-se do Brasil e isolando-o geograficamente.

As mesmas cautelas e distanciamento planejado são cultivados pelo Presidente do Uruguai, o direitista, menos extremista, Luis Lacalle Pou.

O também conservador, Iván Duque, Presidente da Colômbia, tem se mantido ocupado com a onda de protestos contra o seu governo, iniciada em abril de 2021, e negligenciado as amistosas relações que seu país mantém com o Brasil, especialmente desde o recrudescimento dos efeitos da pandemia, e da falta de liderança regional do Brasil na criação de uma aliança de cooperação sanitária e solidária.

E não é só isso.

Após fazer campanha aberta à reeleição do ex Presidente da Argentina, Maurício Macri, em 2019, o novo Presidente eleito, o justicialista Alberto Fernández, não quer conversa com o governo brasileiro, e não mede palavras para se opor às iniciativas conjuntas no âmbito do Mercosul, assim como para deixar claro que os brasileiros são, na verdade, uma tribo indígena de tamanho continental.

Com visível perda de influência ao Sul, vê-se o mesmo, infelizmente, ao Norte.

A barreira geográfica armada contra o socialismo venezuelano de Nicolás Maduro, tende a se manter e isolar ainda mais o Brasil caso o esquerdista, Pedro Castillo, tenha sua vitória confirmada nas recentes eleições no Peru. Keiko Fujimori, candidata direitista, derrotada no Peru, certamente manteria melhores relações com o governo brasileiro.

Mesmo com os efusivos cumprimentos do Brasil ao novo Presidente do Equador, Guillermo Lasso, que tomou posse em maio passado, após derrotar seu oposicionista à esquerda, ainda não se viu acenos de amizade bilateral renovada entre os dois países vindos de lá.

No que respeita à América Latina, o governo brasileiro parece conseguir, ainda que aos trancos e barrancos, manter relações diplomáticas amistosas apenas como o conservador Mario Abdo Benitez, Presidente do Paraguai, em grande parte justificadas por fatores econômicos, haja vista a dependência deste país ao Brasil.

A perspectiva não é menos melancólica se olharmos mais longe.

Com a saída de Donald Trump da Casa Branca, o Brasil e os EUA de Joe Biden parecem ter mais pontos de discórdia do que de consenso, em especial no que se refere à condução da política ambiental e ao negacionismo patológico.

Além da mudança de governantes em Israel e nos EUA, outro aliado do governo brasileiro, o Premiê húngaro, Viktor Órban, ultradireitista e ditador de ocasião, corre o risco de perder o poder para a coalisão de oposição que já se apresenta forte para as eleições de 2022.

Na Europa, o Brasil conta abertamente apenas com o “pas de deux” dos governantes populistas da Polônia, o ultraconservador Andrzef Duda, e o da República Tcheca, desde 2013, Milos Zeman, os quais parecem alinhados com o governo brasileiro. Porém, não se sabe por quanto tempo, pois ambos potentados claudicam frente aos efeitos econômicos e sanitários da pandemia, e das graves violações de direitos humanos.

Para outros países membros do G7, além dos EUA, como a Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino​ Unido, o Brasil não está na agenda principal, nem na mira das boas opções estratégicas.

Entretanto, certo alento parece vir da Itália diretamente à Corte da Primeira Família Real, em Brasília, com a possível volta do ex Vice Primeiro Ministro italiano, Matteo Salvini, ultra direitista, nacionalista e antiglobalizacionista, que parece ganhar espaço diante do enfraquecimento do tecnocrata e economista, Mario Draghi, que começa a abrir espaço para o chamamento de novas eleições que podem ocorrer em breve.

Salvini parece ser a salvação do Brasil na Europa Continental. Amigo de um dos filhos da Família Real brasileira atual, reluz como um farol, ainda que pequeno, na estranha, solitária e melancólica caminhada internacional do Brasil atual.