A tempestade pode ser a mesma. O barco não!

Desde que a pandemia chegou no dia 11 de março para nos abater como tempestade e colocou-nos aparentemente no mesmo lugar, a consciência nos mostrou ao longo destes quatro meses que o barco de cada família é diferente. Ela escancarou a desigualdade social e o ficar em casa não é opção para muitos. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do final do ano passado, avaliou as mudanças na desigualdade nos últimos sete anos, as relações com o crescimento e alguns determinantes sobre bem-estar social e pobreza.

Realizada a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua, a pesquisa mostrou que a desigualdade de renda familiar per capita do trabalho está aumentando há 17 trimestres consecutivos; que a renda no final de 2014 até o 2º trimestre de 2019 dos 50% mais pobres da população caiu e a dos mais ricos cresceu. Outros apontamentos deste barco chamado desigualdade foram: o jovem entre 20 e 24 anos foi o maior perdedor da crise, o desemprego impactou na queda da renda e gerou aumento da desigualdade.

Assim como o distanciamento social propõe uma diminuição de interação entre os cidadãos para conter a velocidade de transmissão do vírus, a desigualdade mede essa distância, muito mais na carne e intensamente. Com a falta de renda obtida pelo trabalho nem os espaços classificados como essenciais são frequentados por muitos. Por isso, para amenizar a tempestade e essa distância surgiram caminhos voltados à caridade, celebrada no último domingo (19), como doações de cestas básicas ao longo do processo de pandemia, realização de lives com arrecadações diversas e tantas instituições e pessoas unidas neste momento difícil para auxiliar outras, consideradas como irmãos.

Nada mais importante do que fazer a nossa parte, seja auxiliando nesses projetos os quais mais interagimos e conhecemos. Seja divulgando, driblando as dificuldades sentidas por cada um e proporcionando ao outro um prato de comida até o final do mês, a vestimenta, calçado e até uma oportunidade de recolocação no mercado profissional. Ninguém está sozinho neste barco desde que possamos continuar humanos, observar e sentir a dor do outro e agir em prol da conquista de um sorriso, e consequentemente, da sua dignidade e confiar de que tudo isso vai passar. Outros investimentos também são necessários, contudo, é preciso primeiramente enxergar que a minha realidade pode não ser a do outro, mas que ela pode ser alterada para melhor.

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