Acorda pra cuspir

Uma ousada comédia, uma forte crítica, um ótimo motivo para refletirmos. Assim é a proposta do texto de Eric Bogosian, que traz pensamentos muito coerentes sobre nosso comportamento humano. Traduzida por Mauricio Guilherme, fala de política, comunicações, religião, diferenças sociais, violência, sexualidade e outros temas já bastante explorados que ganham novos ângulos de observação.

Logo nos primeiros minutos, se estabelece um clima deveras tenso e um tanto quanto frio, mas logo o ‘gelo’ é quebrado e os risos vão acontecendo. Risos de identificação, de tensão, de autoanálise, e até de certo peso de consciência.

A peça conta a história de um artista, José Silva, vivido pelo brilhante Marcos Veras, que poderia ser qualquer um de nós e por essa razão gera tanta identificação.

Falar de fracasso, egoísmo, dores, individualismo… temas tão difíceis de serem conversados numa roda de amigos, é bastante interessante de ver em cima de um palco.

Com perfeita iluminação de Aurélio de Simoni, junto do certeiro figurino de Antônio Guedes e detalhista cenário de Fernando Mello da Costa, a peça também conta com a precisa e essencial direção de movimento de Duda Maia.

Um monólogo é sempre um ato ousado, mas com a direção do competente Daniel Herz, e produção do cuidadoso Rodrigo Velloni, “Acorda pra Cuspir” vem como um soco necessário para de fato acordarmos. Uma peça forte, lúcida, questionadora e intencionalmente provocativa. Certas coisas precisam ser ditas. Outras precisam ser ouvidas. Mas todas servem para nos acordar!