Aquele que nasceu

Durante quase 5 minutos iniciais, ele se define das mais diversas formas e isso já é bastante interessante e ousado. Como sou amante de monólogos, por entender que é um grande desafio para qualquer ator corajoso.

Um espetáculo curto, menos de 1 hora de duração, que te prende a atenção do início ao fim. Pedro Ushoa o escreveu e atua com tranquilidade. Sabe o que diz, e é muito bem conduzido pelo diretor Adriano Basegio.

Uma grata surpresa ver um jovem ator e dramaturgo se jogar dessa forma num projeto. Ganhar o reconhecimento do público e conquistar sua atenção é um mérito todo dele nessa peça.

Com uma luz que trabalha muito a favor do artista, feita por Ana Luzia de Simoni e João Góia, um figurino coerente de Renata Mota e uma interessante trilha de João Ribeiro, a peça flui e Pedro dá conta de cada palavra dita, nos mais diversos ritmos.

Uma peça que dá voz às personagens que narram dores e dissabores. Sublinha a relação efêmera entre todos nós, independente do espaço onde vivemos, das crenças que temos e de como somos.

Analogias feitas a nomes e situações. Ver Severino em cena é forte e beira o poético. Seu nome já diz muito, suas questões nos trazem as nossas para a superfície.

Um final de pura reflexão, se utilizando de boas metáforas como a passagem pelo metrô, quando passamos pela catraca, quando mudamos de estação, quando em algum momento somos ‘obrigados à desembarcar’…

‘AQUELE QUE NASCEU’ é uma ode à vida, e nos explicita que só deixa de viver quem, um dia, viveu. Isso é incontestável.

 

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here