CÉUS

Um espetáculo dirigido milimetricamente pelo inteligente Aderbal Freire
Filho, produzido em 2018, com texto complexo de Wajdi Mouawad e
tradução de Angela Leite Lopes, com um elenco sensacional em cena que
nos leva aos CÉUS.

Inquietantes minutos logo no início da peça já nos faz abrir olhos e ouvidos
para o que está por vir. Interessante demais quando o silêncio também fala.
E isso acontece entre cada fala.

Com os ótimos Charles Fricks, Felipe de Carolis, Isaac Bernat, Rodrigo
Pandolfo e Silvia Buarque, que emprestam seu enorme talento para nos
contarem essa história que tem como enfoque o mundo contemporâneo e
suas instabilidades.

O cenário de Fernando Mello da Costa é uma gigantesca tela de fundo, na
qual são projetados vídeos durante todo o espetáculo, além de uma mesa de
trabalho, cadeiras de escritório, frigobar e cadeiras postas nas laterais do
palco. A sensação de aprisionamento e isolamento promovida pelo cenário
é perturbadora, bem como a atmosfera da peça. Os figurinos de Antônio
Medeiros são bastante realistas e revelam personagens contemporâneos.

A iluminação do maravilhoso e premiado Maneco Quinderé e a sonoplastia
de Tato Taborda auxiliam na criação da atmosfera proposta sem que sejam
evasivos ou criem destaque especial para si, ou seja, trabalham em perfeita
sintonia com o todo.

Um espetáculo tenso, forte, incisivo, no qual Wajdi faz uma profecia
possível: em um cenário um tanto quanto próximo: a destruição das artes
pela política e o ódio, assim como pregava o movimento de vanguarda
futurista. Triste, porém genuíno.

Um teatro para se apreciar, como fazemos com um bom livro. Um
Espetáculo bom e bem feito.

*Todos os espetáculo desta Coluna no período da Pandemia foram visto na plataforma:

https://espetaculosonline.com/

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