Como me tornei estúpido

Por mais irônico que venha parecer, ‘Como me tornei estúpido’ é um dos espetáculos mais inteligentes que já vi. Que ideia! Que elenco! Já falei com eles pessoalmente, pois vi muito antes da pandemia, e agora ao rever on line, me deu ainda mais vontade de indicar…

O saber nos dias atuais gera angustia e revolta. Assim como entendemos que somente a educação salva, também sabemos que a ignorância protege. São máximas que costumamos ouvir e crenças enraizadas que a maioria tem. Isso é um fato. Porém o espetáculo, que é uma adaptação da obra de Martin Page feita pelo sagaz Pedro Kosovski, trás uma consistência e um olhar para o ‘saber’ que destoa de tudo que já ouvimos e acreditamos.

No mundo de Martin Page, ou você é mal-vestido, nerd, comunista e inteligente, ou é bem-vestido, bem-sucedido, capitalista e Burro. Esqueçam os meio-termos da Realidade. Tudo é bem exagerado e cabe ser. O que torna a peça ainda mais interessante são os contra pontos, os excessos, os aumentativos, os lados opostos explicitados a todo instante.

Sergio Módena dirige com maestria e dinamismo. Sabe distribuir os atores em cena e equilibrar cada fala e circunstância. O ritmo da peça é sensacional, não te permitindo flertar com nada mais durante 1 hora e 15 minutos. Nenhuma piada é perdida e todas as situações geram certa empatia.

O elenco é formado por feras como Alexandre Barros, Gustavo Wabner, Marino Rocha e Rodrigo Fagundes, que entram no jogo pra ganhar. Uma coletividade que faz o individual brilhar. Entendem-se nos olhares e é nítida a troca e afinidade.

Com cenário funcional de Sergio Módena e Carlos Augusto Campos, excelente luz de Fernanda e Tiago Mantovani e figurinos coloridos e interessantes de Flavio Souza, a peça é magnífica vale muito ser vista!

Uma solução para o problema: tornar-se estúpido. Desse modo, ao se transformar num sujeito ordinariamente comum, poderá finalmente viver sossegado num mundo caótico e sem sentido”. O texto de Page oferece diversas perspectivas. Faz-nos enxergar o lado bom e ruim das coisas e pessoas. Ver para refletir. Ver para analisar e entender onde você se encaixa hoje. Ver para não se sentir estúpido, ou até se sentir…mas por opção.

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