Como Proteger a Saúde dos Peritos Criminais e Judiciais na Pandemia

Conforme informação da Associação Brasileira de Criminalística, no mínimo 136 peritos criminais foram contaminados pelo Covid-19 até maio de 2020, ainda não temos dados estatísticos que falam sobre casos entre peritos judiciais, mas os mesmos estão expostos tanto quando os peritos criminais.

No mesmo informativo são relatados os motivos pelos quais este tipo de contaminação tem sido possível:

– Uso inadequado de EPI’s ou a falta dos equipamentos.

Me atrevo a complementar, com alguns outros motivos:

– Falta de treinamento e informação sobre riscos biológicos;

– Desconhecimento sobre a Saúde do Trabalhador e Segurança do Trabalho;

– Seleção de EPI’s inadequados/inapropriados;

– Falta de uso das medidas protetivas como imunização;

– Treinamentos para uso correto dos EPI’s durante a atividade que será desenvolvida;

– Higienização, descarte, paramentação e desparamentação inadequadas.

Todo e qualquer tipo de atividade que envolvam riscos ocupacionais e principalmente, o risco biológico, demandam atenção especial, quanto à prática profissional, o que as vezes não é tão observado por estes profissionais, que devido à rotina, tempo de serviço e falta de informação adequada, podemos perceber facilmente que muitos se expõem a situações que podem causar danos irreversíveis para suas vidas e de suas famílias, a todo momento.

Nunca se deu tanta importância a este tipo de cuidados como agora, pois as outras patologias que podem ser adquiridas nestes ambientes, mesmo causando problemas não eram tão agressivas como o covid-19, muitos trabalhadores já perderam sua saúde ou até mesmo suas vidas devido a exposição de forma inadequada neste tipo de ambiente, o que nos leva a afirmar que todo cuidado é pouco durante a jornada profissional nestes locais e agora então se tornou um risco de morte permanecer nestes locais de forma inadequada.

As melhores armas para estar nestes ambientes e permanecer sem se contaminar é a informação, a responsabilidade/consciência para consigo mesmo, com os colegas e com familiares, principalmente adequar o ambiente para permanência nele se expondo o mínimo possível, se proteger de todas as formas possíveis, saber como trabalhar de forma segura, se paramentar e desparamentar corretamente, estar imunizado contra todas as possíveis patologias que possam ser adquiridas, não só contra covid, dentre outras não menos importantes.

Existem profissionais especializados para tratar sobre tal assunto seguindo recomendações, normal e leis, deve-se trabalhar com uma equipe multiprofissional, pois cada um conforme sua área de atuação executa ações direcionadas, a fim de proteger estes trabalhadores de todas as formas possíveis os protegendo da exposição a riscos ocupacionais e até mesmo na questão da saúde mental, prevenindo esse mal que acomete a maioria destes profissionais, não se deve tomar atitudes relacionadas a este assunto sem a presença/participação destes profissionais, pois os leva a cometer erros que podem ser irreversíveis, com saúde e com  vida não se brinca.

Quem são esses profissionais:

Equipe de Saúde do Trabalhador

– Enfermeiro do Trabalho;

– Médico do Trabalho;

– Técnico em Enfermagem do Trabalho;

Equipe de Segurança do Trabalho

– Engenheiro de Segurança do Trabalho;

– Técnico em Segurança do Trabalho.

Estes profissionais irão:

– Avaliação dos perigos no ambiente, contaminantes presentes;

– Levantar os riscos que o trabalhador está exposto;

– Levantar restrições pessoais;

– Sugerir correções nos locais;

– Indicar os melhores EPI’s conforme cada atividade desenvolvida;

– Avaliação da adequação do respirador a exposição;

– Avaliação da adequação do respirador à tarefa, ao usuário e ao ambiente de trabalho – frequência e duração da tarefa, esforço etc;

– Orientar hábitos que devem ser adquiridos para permanência nestes locais;

– Dentre outras ações específicas.

Portanto para que o enfrentamento ao covid-19 seja realmente efetivo, deve-se elaborar um Protocolo de Segurança onde haja interação entre as equipes, neste protocolo devem ser abordados:

– Treinamentos e capacitações sobre saúde do trabalhador, segurança do trabalho relacionados a EPI’s (tipo-PFF2 ou cirúrgica, uso, desparamentação, limpeza e descacarte), postura no local de trabalho, cuidados individuais (imunização e outros), limpeza do ambiente e gerenciamento de resíduos.

Para este tipo de atividade os EPI’s recomendados são:

– Luva,

– Touca,

– Avental,

– Sapatos fechados,

-Máscara,

-Óculos.

Sendo que para cada um existe um CA – Certificado de Aprovação específico, e para cada atividade que será desenvolvida deve-se fazer um estudo para a devida indicação, além disso temos recomendações como as contidas nas normas regulamentadoras do MTE, que orienta como o trabalhador deve se portar em seu ambiente laboral, por exemplo em ambientes que possuam o risco biológico é inadmissível o uso de adornos para execução de qualquer tipo de atividade.

Atualmente a principal preocupação tem sido com a Proteção Respiratória, pois este vírus se propaga pelo ar, mas também temos outras formas de contágio, portanto é primordial que se conheça detalhadamente todas as formas de contágio do risco biológico.

Para uma efetiva proteção devemos fazer a classificação dos EPI’s, conforme o tipo de precaução que será utilizada, temos as precauções padrão (lavar as mãos, usar luvas, avental, óculos e máscara), contato (higienização das mãos, avental, luvas e isolamento), gotículas – mucosa das fossas nasais e mucosa da cavidade bucal ( higienização das mãos, máscara cirúrgica e isolamento) e para aerossóis – permanecem suspensas no ar por longos períodos de tempo, menores que as gotículas, quando inaladas, penetram profundamento no trato respiratório (higienização das mãos, máscara PFF2, máscara cirúrgica e isolamento).

Essas precauções assumem que todas as pessoas estão potencialmente infectadas ou colonizadas por um patógeno que pode ser transmitido no ambiente de trabalho e devem ser implementadas em todos os atendimentos.

Contudo devemos seguir algumas recomendações:

– Lavar as mãos com água e sabão, em locais que não seja possível a lavagem, usar álcool em gel/líquido a 70%;

– Cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir;

– Evite aglomerações se estiver doente;

– Mantenha ambientes bem ventilados;

– Não compartilhe objetos pessoais;

– Fique em casa o máximo que puder, evite aglomerações, mesmo utilizando máscara e estando vacinado.

Limpeza e desinfecção

Superfícies – realizar a fricção das áreas a serem limpas, com papel descartável úmido com derivados de quaternário de amônio ou hipoclorito de sódio ou álcool a 70%, deixar secar naturalmente.

Pisos – Técnica de varredura úmida,após secar, realizar a desinfecção com detergentes/desinfetantes  que podem ser a base de cloro, quaternário de amônio, peróxido de hidrogênio e jamais álcool a 70%.

Descarte – Todo material descartável deve ser acondicionado em resíduo infectante, os materiais provenientes de áreas potencialmente contaminadas são consideradas resíduos Tipo A (risco biológico) e devem ser descartados em saco branco com símbolo de risco infectante de maneira habitual.

Manter portas e janela abertas quando possível, não utilizar ar-condicionado e/ou ventilador.

Paramentação

1- Antes de entrar na área de trabalho, reunir todos os EPI’s necessários;

2- Realize a higienização das mãos, coloque o avental ou macacão, a máscara PFF2 ou N95 ou Cirúrgica e óculos de proteção ou protetor facial;

3- Realizar nova higienização das mãos e colocar luvar de procedimento sobre avental;

4- Iniciar atividade.

Desparamentação

Remova os EPI’s de forma a não correr risco de se contaminar ( principalmente as mãos ou EPI’s).

1- Retirar as luvas de procedimentos e o avental descartável  e descartá-los em lixeiras de resíduo infectante;

2- Realizar a higienização das mãos – técnica de lavagem das mãos;

3- Retirar a máscara cirúrgica ou N95 ou PFF2, sempre pelo elástico e posteriormente os óculos;

4- Higienizar as mãos após a retirada dos EPI’s.

Após o uso dos EPI’s estes deverão ser limpos, desinfectados ou descartados conforme o tipo de EPI.

Quanto ao manuseio de documentos em tempos de pandemia

             A equipe do arquivo central do laboratório de pesquisa em história e arquivologia da UFJF, produziu uma cartilha com dicas de segurança para cuidados com documentos em tempos de pandemia, baseado em portarias, legislações de órgãos com MS, Anvisa e o Arquivo Nacional, muito interessante para nos direcionar em relação a estes contatos, pois documentos também são veículos de transmissão de microorganismos.

Foram criados procedimentos de segurança, higienização e controle, complementares, para minimizar os riscos de contágio do covid 19.

Seguir as recomendações, já adotadas para manuseio do acervo, como não fumar, não comer ou não beber, somente nas áreas liberadas, não colocar os cotovelos sobre os documentos durante a consulta, não molhar os dedos com saliva para manuseio das folhas, etc. Evitar acúmulos de documentos, objetos e materiais sobre a mesa de trabalho. Usar das máscaras e luvas, durante todo o tempo de manuseio do documento, pelo funcionário e consulente.

De acordo com informações divulgadas, o coronavirus consegue sobreviver até 9 dias em algumas superfícies, podendo variar, dependendo das condições ambientais, por exemplo:

Aço inoxidável – até 3 dias;

Plástico – até 3 horas;

Papel – até 4 dias;

Cobre – 4 horas;

Metal – entre 5 e 9 dias;

Aerossois da/Poeira – 40 minutos a 2 horas 30 minutos.

Dicas para uso de papéis:

Documentos transferidos/recolhidos

Serão colocados em área separada, para quarentena mínima de 14 dias e posterior higienização.

 Documentos consultados

Documentos que já estavam higienizados e foram consultados serão colocados em quarentena (14 dias), separados daqueles recolhidos/transferidos e receberão a higienização posterior.

Acondicionamento

O acondicionamento nos envelopes, pastas e caixas deverá ser realizado após a quarentena e higienização.

Retorno à área de guarda

 Realizado após as etapas 01, 02 e 03. Cuidado com os fluxos, para não ocorrer contaminação cruzada.

HIGIENIZAÇÃO

Limpeza a seco, com uso de trinchas macias ou panos secos, em mesa de higienização, com filtro acionado. Lembre-se de que o papel é muito sensível a produtos químicos, que deverão ser evitados. Nesse sentido, o tempo de quarentena é importante, pois ultrapassa o período de virulência.

O mobiliário deverá ser limpo com a solução desinfetante adequada, considerando suas especificações.

Algumas encadernações, invólucros, caixas e pastas também poderão receber a limpeza com algumas soluções específicas, desde que sejam respeitadas suas especificidades, seja aguardado o tempo correto para recolocação da documentação, em caso de invólucros e principalmente, atenção aos resíduos que tal procedimento possa deixar e reagir, quando em contato com o documento que ali será acondicionado.

ANTES DE TODO E QUALQUER PROCEDIMENTO, DEVEM SER AVALIADOS OS PRÓS E CONTRAS DE SUA UTILIZAÇÃO.

Cuidado para não misturar os objetos contaminados aos limpos.

Fazer a desinfecção de bancadas e mesas frequentemente.

Fazer a higienização dos equipamentos e ferramentas utilizados e desinfecção, utilizando as soluções e produtos adequados para cada um.

Referências:

Cartilha sobre manuseio de documentos em tempos de pandemia. Disponível em https://2.ufjb.br/notícias.

Informativo – Perícia Criminal. Edição 01-maio 2020.

Moraes, Tatiana Rodrigues. Goiânia-2020. Profissão Perito Criminal, o risco biológico e o Coronavírus.

New England Journal of medicine. Disponível em https://www.nejm.org/coronavirus

Organização de ambientes e uso de equipamentos de proteção individual. Disponível em https://www.febrasgo.org.br/pt

New England Journal of medicine. Disponível em https://www.nejm.org/coronavirus https://coronavirus.saude.gov.br/

http://portal.anvisa.gov.br/

UFJF

https://www.icom.org.br/