Conheça a arte humanitária que auxilia na técnica de defesa pessoal

“Praticante de HakkoDenshin consegue se livrar em segurança e sem causar lesões corporais ao próprio agressor,” explica Sensei da arte, Sandro Silva

 Muitas pessoas desconhecem, mas existe um ciclo da violência, principalmente a doméstica. De acordo com a psicóloga norte-americana, Lenore Walker, a violência doméstica tem várias faces e especificidades. Ela conseguiu identificar que as agressões cometidas em um contexto conjugal ocorrem dentro de um ciclo que é repetido. Para quebrar este ciclo e conhecer outros tipos de violência como a física, psicológica, sexual, patrimonial e moral é preciso estar ao lado das mulheres. Uma opção é conhecer técnicas de defesa pessoal.

O Sensei, Sandro Silva, entrevistado dessa semana para o portal Na Pauta Online explica que o HakkoDenshin é a arte mais indicada pelas posturas de autodefesa humanitária que o estilo Jujutsu trata. “A arte que trabalho se chama HakkoDenshinRyuJujutsu de origem japonesa que foi praticada e desenvolvida por antigos samurais. Quando eu era adolescente pratiquei bastante o karatê, mas hoje me dedico mais ao HakkoDenshin. Para defesa pessoal é uma ótima opção porque a maioria das defesas são sem dor e lesão para com o seu agressor,” explica.

Defesa pessoal

Sensei Sandro Silva – Foto: Paulo Casemiro

“Ele ainda explica que “a injúria só é aceitável em situações em que a vida está em perigo. O agressor é neutralizado e seu desejo de roubar, lutar ou agredir é superado pela dor imposta das chaves e torções em pontos e canais energéticos da acupuntura,” ressalta.

Como complemento às técnicas dolorosas, ele conta que tem integrado o  shiatsu como terapia. “Isso é aprendido em todos os níveis de treinamento, pois todos os golpes são aplicados em pontos e canais da acupuntura e ao se praticar o HakkoDenshin, o (a) aluno (a) está se tratando e aprendendo a tratar pela utilização dos pontos da medicina tradicional japonesa,” frisa.

“Oitava luz”

 Silva disse que Hakko significa “Oitava Luz” em japonês e refere-se à faixa ultravioleta, invisível ao ser humano. Em excesso pode causar queimaduras solares na praia ou em quantidade adequada pode até tratar doenças. “O número oito também pode representar o infinito no Japão, portanto o nome sugere que um número infinito de técnicas pode ser derivado dele. O treinamento do HakkoDenshin Jujutsu emprega estratégias para se defender usando movimentos sutis ao invés de força, mas poderosos na execução, não muito diferentes dos raios ultravioletas do sol”, explica o Sensei.

“Chaves de dedos, mãos e braços são os mais frequentes golpes (defesas) e temos também chaves e torções em outras partes do corpo como pés, pernas, pescoço. Não usamos de  muito ataque, e sim de muita defesa, com uma proposta humanitária. Na verdade sua filosofia poderia ser resumida assim,” relata. A arte pode ser praticada tanto por mulheres quanto homens. “Eles podem usufruir do estudo pois a ideia é usar o mínimo de força e brutalidade nas defesas,” afirma.

Prática que auxilia mulheres

Ele afirma que a prática é excelente para as mulheres porque ajuda a evitar investidas mais agressivas de homens, sejam eles maridos, namorados, assaltantes e mulheres mais fortes. “O HakkoDenshin e sua prática diária é utilizada tanto por homens e mulheres, idosos, crianças e adolescentes formando ao longo do tempo segurança em si no dia a dia diante das adversidades de uma vida em sociedade com altos índices de violência, seja ela vivenciada fora de casa ou dentro,” comenta o Sensei.

O profissional menciona que é constante ver ou ler nos noticiários, jovens, mulheres e homens vítimas de várias violências que poderiam ser evitadas com a aplicação de técnicas de Jujutsu, consideradas harmoniosas. “A aplicação da técnica é simples, rápida e muitas vezes oculta aos olhos do público. O praticante se livra em segurança do agressor além de moldar um novo físico, trabalhando a mente e o espírito em conjunto. Ao se sentir seguro e confiante para evitar situações de abuso, conflito e agressão, o praticante se resguarda em segurança dentro das técnicas praticadas na faixa branca e amarela,” cita.

Silva explica que além de dar suporte ao aluno, o HakkoDenshin consegue trabalhar o Ki que significa energia interna do corpo para que com o passar dos treinos consiga equilibrar e reestruturar o corpo com o Ki correto. “Temos várias mulheres praticantes no mundo todo. Algumas já se tornaram mestras desta arte,” conta. Conheça um exemplo que mostra uma praticante em seu dia a dia de treino em paralelo a um assalto em caixa eletrônico: http://abre.ai/bMbr.

Energias

“Trabalhamos com o Ki errado ou em excesso soltando-o para fora do corpo durante os exercícios de aquecimento e durante a repetição dos golpes que são chamados de Wazas. Você vai mudando o Ki errado para o Ki certo, os excessos são eliminados em várias situações como o momento do Kiai que é o grito ao finalizar o oponente com uma chave de mão,” complementa. “Com o treinamento é possível concentrar a energia onde ela é mais necessária, ao invés de espalhá-la pelo corpo. Isto envolve concentração física e mental que canaliza a energia para regiões definidas do corpo,” frisa.

Em momentos de estresse ou irritação, o Sensei conta que o aluno consegue se equilibrar e com a prática, a capacidade de concentração aumentará, evitando estes e tantos outros desequilíbrios emocionais que atormentam muitos diariamente no convívio social.

Benefícios e desafios

 Para o Sensei, “o aumento de confiança do aluno deriva dos obstáculos que ele consegue superar ao longo das trocas de faixas”. Ele menciona que para o praticante ser capaz de se defender em um confronto físico é uma grande habilidade adquirida de superação e autoconfiança. “A autodefesa aumenta esse sentimento de capacitação, reduzindo os efeitos negativos de medo e pânico,” diz Sandro Silva. Outros benefícios apontados por ele sobre a arte são melhorias no rendimento físico, promoção do condicionamento da coluna, fortalecimento muscular, equilíbrio, flexibilidade, coordenação motora, resistência cardiorrespiratória, cardiovascular, além da manutenção do sistema neural.

“Quanto ao equilíbrio metabólico há um risco menor de obesidade, pressão alta e colesterol elevado. A prática traz um efeito calmante. Por isso, é uma estratégia para redução do estresse. A combinação de exercícios envolve o corpo, mente, controle da respiração, relaxamento e ganho espiritual,” destaca.

Sobre os desafios, o Sensei disse que começam na primeira aula experimental. “As dificuldades iniciais são de deixar o conforto do sofá, a televisão, internet, para então se levantar e vestir um kimono para ficar mais de uma hora em cima de um tatame durante três vezes por semana. Tudo isso já são desafios para mente e corpo. Contudo, com o passar do tempo, o praticante perceberá que seu maior oponente, a maior competição e a melhor medalha serão conquistados sem derrotar ninguém. Os únicos derrotados serão o medo, os traumas e as crenças limitantes,” finaliza.

 

Veja demonstração das técnicas: http://abre.ai/bMbs

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