COVID-19: Vocação divulga estudo sobre impactos nas comunidades da zona Sul de São Paulo

Durante uma pandemia como a que estamos vivendo, famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social são as mais atingidas. A escassez de infraestrutura, a falta de postos de trabalho e de salários que garantam boa alimentação e itens de higiene já são problemas enfrentados por essas pessoas mesmo em tempos de normalidade; em cenários de crise, essa situação fica pior.

 De acordo com o mapeamento realizado pela Organização da Sociedade Civil Vocação, em parceria com 57 OSCs e com as Supervisões de Assistência Social de Campo Limpo e M’Boi Mirim, 80,44% das famílias que moram na zona Sul da capital paulista declararam necessitar de renda emergencial. Dentre os entrevistados, 69,9% viram a renda familiar diminuir após o isolamento social para prevenção da COVID-19. Isso porque, apenas 34,78% das pessoas que contribuem com maior renda da casa continuam indo ao trabalho normalmente e 65,22% delas não estão cumprindo com suas jornadas diárias de trabalho normalmente.

 home office não é opção para as pessoas que moram nas comunidades da Zona Sul da capital paulista. A maioria delas executa atividades que só podem ser realizados presencialmente – entre elas, diaristas, garçons, babás, porteiros – o que torna o trabalho remoto impossível. Entre as pessoas que possuem empregos regidos pela CLT (36,36% dos entrevistados), 10,09% está com o contrato suspenso em função da COVID-19. Já entre os 27,86% dos moradores ouvidos que trabalham informalmente, 8,65% estão sem clientes para vender seus serviços ou mercadorias e 15,16% das pessoas entrevistadas estão desempregadas.

 Para essas famílias que vivem em comunidades da região sul da capital paulista, onde 3,28% afirma ter alguém com sintomas da COVID-19 dentro de casa, a proposta de isolamento social é impraticável: 58,11% das famílias moram em residências muito pequenas onde habitam mais de 4 pessoas por casa e 49,1% declaram que não têm condições de realizar o isolamento em domicílio, caso necessário.

 Mais de 50% das mulheres afirmam estar preocupadas com os cuidados dos filhos em um ambiente de confinamento devido ao espaço físico diminuto de suas moradias; 36,18% delas reclamam da sobrecarga por ter que conciliar cuidados do lar, educação e acompanhamento das crianças e adolescentes. Importante ressaltar que 17,22% dessas famílias convivem com idosos, o grupo de maior risco por estar mais suscetível ao COVID-19. 

 O confinamento em espaços mínimos e super habitados, agrava o problema da violência doméstica nessas regiões. Segundo dados do Ministério Público de São Paulo, só no mês de março, o número de casos de violência contra as mulheres cresceu 30%.

 E nesse momento em que a pandemia exige atenção ainda maior com hábitos de higiene, outro problema chama a atenção: 69,11% das famílias afirma não ter como seguir cuidados simples, como lavar as mãos, porque não tem condições de comprar itens de higiene. Vale lembrar que 4,56% nem têm fonte de água potável e que 14,77% não têm acesso à rede de esgoto.

 Atualmente, 49,78% das famílias da Zona Sul de São Paulo estão vivendo com menos de um salário mínimo. Não por acaso, 83,72% declara estar preocupada, apreensiva e triste com a situação provocada pela pandemia, que fez com que a renda diminuísse mais e tornasse inacessível o consumo de alguns itens básicos para a sobrevivência: 38,29% das famílias declara precisar de ajuda com alimentação e 63,65% não tem dinheiro para adquirir gás.

 Para realizar esse estudo, foram entrevistadas 6.528 pessoas: 90,21% das pessoas ouvidas são mulheres e 63,10% têm idade entre 31 e 50 anos de idadeO objetivo da apuração desses dados é identificar qual é o agravamento de problemas sociais durante o isolamento social entre as famílias já atendidas regularmente pelos Programas e Projetos Sociais. A ideia é que tais informações possibilitem planejar ações interventivas mais assertivas em cada região atendida.

 A partir dos resultados apresentados, a Vocação adotou medidas assistenciais e emergenciais para a garantia de itens básicos para a sobrevivência das famílias por meio da campanha “Ação Solidária contra COVID-19” que irá auxiliar, com 9 mil cestas básicas e kits de higiene, famílias da Zona Sul da Cidade de São Paulo e regiões de Itapecerica da Serra e Embu Guaçu.

 Para o enfrentamento da violência doméstica, a Organização definiu como prioridade assessorar e apoiar os gestores dos Serviços de Convivência das OSCs parceiras e suas equipes, no acompanhamento remoto das famílias e no treinamento de todos os interessados, para identificar, denunciar e prevenir a violência doméstica contra mulheres, crianças e adolescentes. Dentre essas medidas, estão a criação de cursos à distância com materiais instrucionais com dados e abordagens atualizadas, além do reforço de protocolos de trabalho, já previstos nas normas públicas. 

 “Em uma situação de pandemia é necessário trabalho coletivo. Neste momento é fundamental atuar em defesa da cidadania; compartilhar de forma transparente informações, mobilizar recursos e contar com a potencialidade participativa das comunidades, promovendo um trabalho em rede com outras Organizações da Sociedade Civil, parceiros e Governo. É preciso unir esforços para o enfrentamento da situação”, comenta o Gerente de Desenvolvimento Comunitário e Integral da Vocação, Milton Santos. 

A Vocação

Há 53 anos, a Vocação atua para impactar a vida de crianças, adolescentes, jovens, famílias e suas comunidades na Zona Sul do Município de São Paulo, M’Boi Mirim e regiões de Itapecerica da Serra e Embu Guaçu, visando construir uma dinâmica social mais justa e igualitária.
A Vocação defende um país rico em oportunidades, onde pessoas e comunidades se desenvolvam em plenitude. Assim, dirige-se às empresas, instituições públicas e à sociedade civil organizada para celebrar parcerias nas quais dissemina sua metodologia, por meio de OSCs parceiras, que atuam nas centenas de unidades de atendimento sócio assistencial apoiadas pela Vocação.
Hoje, seu trabalho desenvolve-se  por meio de dois pilares: Desenvolvimento Integral e Inserção ao Mundo do Trabalho, que busca por meio do protagonismo, ações de cidadania, capacitação profissional e inserção no Mercado de Trabalho, preparar cidadãos para a vida; com mais autonomia, conhecimento e experiência para impactar a sociedade de forma positiva.

*Segue o link com a atualização diária da pesquisa da Vocação: https://bitlybr.com/KRdm9ac

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