“Desculpe o transtorno, palhaços trabalhando”

Dois palhaços operários vivenciam mais um dia comum na construção, mas entre muitas trapalhadas e confusões, recebem ainda a incumbência de construir um muro.

O espetáculo traz um olhar humano e reflexivo para o convívio com o outro num misto de amizade, companheirismo, afetividade, alegria, tristeza e solidão. Uma metáfora sobre a natureza humana e os muros que construímos diariamente com nossas certezas e diferenças.

Tudo isso é vivido de forma leve e descontraída num espetáculo onde a comunicação se faz de diversas maneiras, seja no olhar, na melodia e nas onomatopeias.

Uma criação de Vinnicius Veloso, com direção de Fernanda Rocha e supervisão da cena de Helvio Garcez, os atores Thais Lima, Vinnicius Veloso e Vinicius Longo interpretam lindamente seus personagens com a trilha sonora do músico Igor Stuart.

Muito bem feita e produzida a montagem realizada pela conhecida Cia 2 Banquinhos, que busca o essencial, fala do primordial e foca no que de fato precisamos nessa vida: o olhar.

Quando não se tem a voz, a oralidade tão costumeira nos espetáculos de teatro, nossa atenção acaba indo para outros recursos, que se bem utilizados, geram um bom entretenimento.

Com um funcional cenário e elementos cênicos precisos de Abel Gomes, Maicon Lima , Sonia Cerri Longo e Vinicius Longo juntamente da maravilhosa luz de Bruno Henrique Caverninha, tudo flui lindamente e podemos desfrutar da essência do clown, onde o Palhaço (do italiano pagliaccio) é uma personagem estereótipo, representada por uma indumentária extravagante, maquiagem excessiva e cabeleira de cor. Por vezes é conhecido como bobo, mas de bobo nada tem.

Associa-se a personagem às artes do circo, onde tem uma função da fazer rir, e cumpre muito bem, o fazendo com louvor. Uma peça para ver com a família, para rever nossos conceitos, para vermos e ouvirmos melhor, ficarmos mais atentos ao próximo, para observarmos melhor tudo que está ao nosso redor. Uma peça para todas as idades e gêneros. Imperdível!