Dezembro chegou e, com ele, o Natal e seus apelos consumistas. Essa época do ano que propicia tantas reflexões sobre valores humanos é, também, um período marcado pelo aumento do consumo – nem sempre com a devida atenção. Infelizmente, as crianças não ficam fora disso. Pelo contrário: são ainda mais assediadas por empresas que praticam publicidade infantil – apesar de ser uma prática abusiva e ilegal – e estimuladas a acreditar que o Natal só pode ser comemorado de verdade com muitos presentes e brinquedos novos.

Claro que as famílias podem presentear as crianças, mas essa escolha precisa partir dos adultos – e não ser consequência da pressão comercial exercida por empresas diretamente junto aos pequenos. Pensando em ajudar as famílias a celebrarem a data com mais presença e menos consumismo, os programas Criança e Consumo, Criança e Natureza e o Portal Lunetas, do Instituto Alana, prepararam algumas dicas simples e criativas:

1- Fortaleça as tradições familiares – ou crie novas!
Dezembro combina com árvores de Natal, enfeites e receitas especiais. Que tal convidar as crianças a participarem desses momentos? Elas podem ajudar a montar os itens festivos, fazer novos enfeites para colocar na casa e preparar receitas natalinas junto com os adultos. Manter as tradições familiares (e criar novas, por que não?) ajuda a construir memórias que marcam essa data pelo afeto. Ao longo dos anos, as risadas, os encontros e a diversão serão lembradas com carinho e transmitidas para as próximas gerações.

2- Ofereça presença, vivências e natureza
Já parou para pensar que o presente de Natal não precisa ser um objeto? Que tal aproveitar as festas e presentear as crianças com momentos ao ar livre, com experiências na natureza, para que elas possam correr, brincar e se divertir? Após um período tão longo (embora necessário) de confinamento, atividades como essas são ainda mais importantes! Ajude a espalhar a ideia de que ” um brinquedo diverte, a natureza liberta !”

3- Promova trocas de brinquedos entre as crianças
Sabemos que as crianças gostam de presentes no Natal, mas essa data não precisa estar atrelada à compra de brinquedos novos. Incentivar as crianças a trocarem brinquedos que não usam mais com irmãs(ãos), primos(as) ou amigos(as) é uma forma de atualizar os itens e ganhar “novos” brinquedos! Essa simples atitude ensina a ressignificar os presentes e pode ser um bom momento para falar sobre o processo de produção e o que acontece quando produtos são descartados. O Portal Lunetas preparou um conteúdo especial que mostra o quanto nossas ações de consumo impactam o planeta e, consequentemente, o futuro das crianças.

4- Equilibre o tempo de tela com o tempo lá fora
A internet tem sido um espaço, mais do que nunca, de estudo, diversão e comunicação também para as crianças. Mas vale tomar cuidado, já que várias empresas e plataformas digitais ainda se aproveitam dessa presença infantil para privilegiar seus próprios interesses econômicos, expondo crianças a publicidade infantil e outras formas de exploração comercial. Na época do Natal, esse assédio tende a aumentar e uma boa alternativa para evitar a exposição à publicidade infantil é equilibrar o tempo de tela das crianças com momentos ao ar livre. A pesquisa “O papel da Natureza para a saúde das crianças no pós-pandemia”, realizada com mil famílias com crianças de até 12 anos em todo o Brasil trouxe alguns dados interessantes: 86% dos responsáveis declararam que as crianças pedem menos para usar aparelhos eletrônicos quando estão brincando ao ar livre. E, se a diversão on-line for inevitável, escolha canais infantis do YouTube livres de publicidade direcionada às crianças!

5- Defenda o fim da exploração comercial infantil
Apesar do aumento do assédio comercial a crianças em datas comemorativas como o Natal, é importante saber que as leis brasileiras já estabelecem que a publicidade infantil é ilegal e empresas devem ser punidas por essa prática. Você pode fazer a sua parte para garantir o cumprimento da legislação! Qualquer cidadão pode fazer uma denuncia de publicidade infantil. Redobre a atenção nessa época do ano e exija que as empresas anunciantes parem de explorar comercialmente as crianças!

Sobre o Instituto Alana

Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.