E foram quase felizes para sempre

O primeiro monólogo de Heloisa Périssé, que já é bastante conhecida por seu talento e desenvoltura, é uma alusão ao que lemos nos contos de fadas. Com muito ritmo, a atriz trás um texto limpo, leve e agradável de se ver, mas deixa um pouco a desejar no que se refere à graça e ao humor tão esperados em seus trabalhos.

Vivendo a escritora workaholic Letícia Amado, ela explica a todo instante a razão de estar triste embora esteja lançando seu tão aguardado livro onde apresenta um guia de viagem para casais.

Profissional dedicada mostra que nem tudo são flores, já que perdeu seu grande amor, ao deixá-lo de lado durante a feitura do livro.  Ela critica o jeito do marido, o seu temperamento e tempo de ação diante das situações. Ele é um sujeito tranquilo, enquanto ela demasiadamente agitada.

Toda essa história é contada através das lembranças de Letícia, desfiadas no dia do lançamento do seu livro, em forma de desabafo. A atriz se desdobra em muitas personagens, mudando apenas voz e tom. Com luz muito afiada, a cada mudança, vimos a outra persona, mesmo sem auxílio de figurinos ou adereços.

A direção da competente Suzana Garcia sabe muito bem conduzir e amarrar cada situação, nos mantendo atentos até o fim.

Um ponto alto é o fôlego de Heloísa, que atua, gesticula, anda, muda de personagens, tudo numa velocidade absurda, sem se perder e principalmente sem deixar que nos percamos.  Mas a peça é mais do mesmo. Amor e relacionamento são temas corriqueiros, e somente a forma como se apresenta é que os torna algo interessante… Ou não.

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