EMPATIA X REALIDADE – mulher como você reage?

Desde o dia que o mundo se deu conta da crueldade desse vírus, muitos estão tendo que lidar com uma realidade complexa, porém uma realidade desconhecida por muitos. Enquanto milhares choram seus entes perdidos outros vivem como se não houvesse o amanhã, e aí se começam os embates de opiniões.

*Por Paula Gomes

Não sou contra se tocar a vida e lutar pela sobrevivência da família, mesmo porque todos nós precisamos, porém qual tem sido o parâmetro para comparações? Qual critério a ser seguido?

Quanta dificuldade em entender que a recreação, e os excessos na vida social podem esperar, porque tantas festinhas clandestinas? Rios lotados? Polícia tendo que dispersar aglomerações? Será que somos o único país tropical de altas temperaturas afetados pela COVID-19?

Leio sobre muitos argumentarem “a vida não pode parar”, até estarem paralisados com a perda de um ente, ou na UTI. Nunca pensei ter que observar em um único espaço tantos extremos, qual o limite para o certo ou errado? Aonde encontramos o bom senso e equilíbrio?

Converso com profissionais da área medica, uma grande maioria esgotados, abrindo mão de sua rotina para estarem fazendo além do seu ofício, cientes da dor alheia. Mas quando lemos matérias, vemos vídeos sobre os excessos em reuniões sociais, passeios desnecessários me questiono, até aonde o ser humano consegue entender o poder da EMPATIA?

Enquanto nos privamos de uma rotina normal, estudando saídas, lutando por possibilidades, entre várias iniciativas isoladas para se salvar vidas, posso ver milhares com os olhos vedados, frios e indiferentes. Me pergunto se nos tornamos tão adaptáveis ao ponto de consideramos em média de mil mortes a cada 24 horas como normal:  Sério, fulano está na UTI? Que pena fulano morreu? Sério não tem UTI?  Haaaa hoje só morreram 500! Lamentável.

Temos que ser otimistas e positivos, mas daí fingir que milhares de pessoas não estão morrendo ou doentes só para suavizar sua consciência é loucura. Não temos que nos acomodar, achar que tudo é normal, potencializando ainda mais o efeito dominó do caos.

Não estou falando de um velório coletivo, se congelar, pelo contrário é um momento de ações, mas entendo que muitos não se apercebem que tipos de ações precisamos neste momento, penso em como essa frieza nas relações e empatia afetará essa geração, em como nossos filhos entendem hoje a dor da perda, e como entenderão amanhã! Quando falamos de empatia chove criticas, falas oportunistas, e lá se começa a guerra de ideologias. Quando se fala de amor e cuidados ao próximo parece que estamos falando de algo relacionado a um conto de fadas ou filme medieval.

Nunca pensei que observaria tantos enlutados sendo ignorados, não estou falando aqui de responsabilidade pública ou política, estou falando da responsabilidade como seres humanos civilizados que somos. O contagio é inevitável, e não existe uma estatística real de pessoas que não respeitam o mínimo das orientações de distanciamento social e contaminam outros, e como resultado um ser frágil acaba pagando a conta com a sua vida.

Razoável uma mãe para sustentar seus filhos estar no ponto de ônibus, ou estar fora de casa para empreender seu negócio informal, mas não acho razoável jovens desnecessariamente embriagados em festas clandestinas. Esse jovem e sua família talvez tenham que suplicar pelo mesmo DEUS que muitos estão suplicando hoje.

As Mulheres desempenham um papel único no âmbito familiar, bem como na sociedade, existem muitas mulheres com iniciativas incríveis, aliás seria um pouco difícil contabilizar tantas iniciativas e ações, uma honra assistir tanta garra e amor, agora minha  provocação aqui gira em torno de sua responsabilidade como formadora de opinião, na sua casa, na sua intimidade, não seja omissa em orientar seus filhos, conscientizar seu marido e amigas, colegas de trabalho para a necessidade de sermos humanos e empáticos com a nossa realidade. Enquanto vejo e assisto meia dúzia com ideias, ações criativas e reais, vejo muitas matérias expondo pessoas em festas, em aglomerações desnecessárias sem controle, e me pergunto: Aonde está a empatia? Cadê a consciência? Muitas mulheres estão usando esse momento para aproveitarem mais o vínculo familiar, tendo em vista que na rotina diária existe o acumulo de papeis, mas como ensinar ou justificar para um(a) filho(a), ou tentar ensinar algo que possa contribuir para a construção dos valores de um indivíduo na beira de um rio em plena pandemia? Não dá para explicar o inexplicável. Vamos colorir o mundo com o que? Que cor tem a frieza e indiferença?

A fala aqui é sobre os excessos, ter a consciência que podemos abrir mão de alguns sonhos para tentar ajudar a salvar vidas. Não sei se existe neste momento alguma receita infalível, acredito eu que não, mas meditar, refletir e se questionar pode te levar a descobrir qual a nossa responsabilidade como mulheres.

Não podemos nos adaptar a falta de empatia.

*Paula Gomes – Mãe, Empresária e fundadora do IMEJ- Instituto Mato-grossense de Estudos Jurídicos, Escritora, Consultora de Etiqueta e Moda, criadora do Perfil no Instagram @resenhadamulhermoderna.

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