No próximo domingo, 24, nossa querida e amada Goiânia fará 88 anos. Cidade de alguns, escolha de outros, passagem por tanta gente. Essa semana teremos muitas comemorações promovidas pela Prefeitura de Goiânia, mas vim aqui para falar como vejo minha cidade que é um pedaço de mim. Através dos meus olhos, posso começar a contar de quando minha mãe e avó nos levava para conhecer o famoso centro, a tal Praça Cívica.

Meu primo, irmã e eu nos divertíamos muito fazendo poses no  Monumento às Três Raças. Faz muito tempo que não a frequento, já que está em obras. Fora os desfiles tanto em Campinas, na Avenida 24 de Outubro, quanto na Avenida Araguaia em datas comemorativas específicas. Lembro-me da festa que era acordar cedo para ver a banda passar. Bons tempos eram aqueles. Na época da faculdade, um aluno ousado fez um trabalho de conclusão de curso dizendo sobre a existência da socialização e trabalho de tanta gente no Centro de Goiânia, no período noturno.

Muitos pensavam que ele só existia de noite com a correria das pessoas em atravessar as ruas rapidamente, entrar nos ônibus com seus destinos planejados e tanta tarefa por resolver ali mesmo. Sempre que me perguntavam onde eu morava, respondia que eram cinco minutos até o Centro. Até hoje é. Ou não, pelo trânsito que se modificou bastante. Quantas vezes ficávamos felizes por ir até ao Mutirama, nem que fosse para brincar nos brinquedos gratuitos e dividir um pastel entre todos. Os ingressos eram bem caros.

Minha mãe sempre tentava nos alegrar. Só dava preguiça de entrar no ônibus. O local, mesmo perto, ficava na contramão. Mas quando chegávamos lá, nem lembrávamos dos percalços até lá. De vez em quando sobrava uma grana para ir ao trenzinho ou ao carrinho. Fingíamos que sabíamos dirigir e a estrada levava aos nossos mais profundos sonhos até chegar naquela imensa fila com várias crianças novamente. Nunca fui de aventuras, sempre preferia ir aos brinquedos mais amenos. Porém, o trem fantasma era o mais esperado.

O medo não existia. Aquela adrenalina era a sensação do momento. A Escola Técnica era o sonho de qualquer estudante, para depois vir a Universidade Federal de Goiás (UFG). O Bosque dos Buritis já foi palco de uma ação de gentileza e um encontro amigo quando deitei-me no colo de alguém que me amava e eu não pude amar como gostaria. A Praça Universitária foi o espaço do meu Ensino Médio inteiro. Ali conversávamos, fugíamos da realidade e nos alegrávamos. Era tanto papo, lanche dividido, visita à biblioteca que daria para acampar por ali. Muitos nem irão vivenciar tudo isso. Goiânia de tanta beleza, verde, lugares. Daria um livro. Aqui fui feliz e sou feliz. Parabéns por mais um ano de vida! Continue a nos encantar com farta literatura, música, poesia, locais e tantas pessoas brilhantes.