Já dá para perceber o drama, somente em ler o título?

Mulher, ser humano do sexo feminino ou do gênero feminino, dotado de inteligência e de linguagem articulada, bípede, bímano, classificado como mamífero da família dos primatas, com a característica da posição ereta e de considerável dimensão e peso do crânio. Aquela cujas características definem o ser feminino: para Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher, torna-se mulher”.

Ela concluiu que definições comuns, como a de que mulheres são frágeis ou de que nasceram para cuidar de tarefas domésticas, estavam sendo usadas para subjugá-las ao longo dos tempos. Para Beauvoir, as visões dos indivíduos são socialmente e culturalmente produzidas. Não se nasce com elas, mas se aprende através da socialização. E nesse caso, o que acontece é que as mulheres estavam sendo ensinadas sobre seus papéis para que os homens pudessem se manter dominantes.

Enfim ser mulher envolve uma grande complexidade que confunde muitas pessoas sobre como se portar de maneira adequada.

Quando solteiras apresentam um perfil diferenciado, pelo menos a grande maioria, onde a atenção maior é em se cuidar, se produzir, chamar atenção do sexo oposto, se qualificar e entrar no mercado de trabalho, eis que começam a namorar.

Durante o namoro a mulher passa por uma mudança em sua postura perante a vida, onde muda comportamentos e hábitos com a finalidade de se adequar ao relacionamento.

Ela se casa, nova mudança onde deixa a vida que tinha e assume novo formato de vida, com outros tipos de prioridades (pelo menos a grande maioria adere a isso).

Com o tempo vem a necessidade de se tornar mãe e já vem novas mudanças na vida da mulher onde ela deixa de ser quem ela foi durante uma vida para se tornar outra pessoa, vejam quantas mudanças as mulheres passam em suas vidas?

E ainda existem homens que as chamam de “loucas” queria ver o macho que valentão que daria conta de passar por isso tudo com a maestria que as mulheres passam, bem a questão aqui é ser mulher é um tsunami de mudanças contínuas, de recomeços e de desconstruções contínuas. Qual o problema nisso tudo? O problema é que os homens, não tem tido empatia para lidar com todas essas mudanças já que as mulheres não são preparadas para isso tudo durante toda sua vida.

Só para ter uma noção, as mudanças trazidas pela chegada de um filho afetam as mulheres mais do que imaginamos. A maternidade chega até mesmo a alterar morfologicamente o cérebro feminino – e essa transformação que tem consequências hormonais e psicológicas, aliada a fatores culturais, faz com que socialmente a mulher se posicione de forma diferente, já que agora ela é uma mãe.

Hoje em dia não é raro ver divórcios logo após nascimento do filho, onde homens alegam que não estão prontos para ser pais, para eles é mais fácil, já que o filho é da mãe, com isso seguem suas vidas. E a mulher? No meio disso tudo? Passa nove meses com seu corpo sofrendo mudanças, do nada nasce o bebê e entregam a ela que ainda precisa de cuidados, pois passou por um processo complexo durante nove meses e ainda o parto, que independente de qual tipo não deixa de ser uma agressão para o corpo feminino (por mais que seja fisiológico, não deixa de causar desconforto, dor e sofrimento), mas ela não tem tempo para se recuperar não, vem tudo ao mesmo tempo, adaptação com bebê que entregam e ela e só falta falarem se vire sozinha, adaptação do corpo que está voltando ao “normal”, detalhe mulher nenhuma volta a normal depois da maternidade e ainda tem a adaptação do casamento com filho no meio, onde a maioria dos homens não se preparam para isso e deixam a mulher totalmente desamparada.

Muito caso de depressão pós-parto tem ocorrido, qual será o motivo?

Já passou pela cabeça de alguém o que se passa na cabeça delas mediante todas essas fases, como elas de adaptam?

“Ser mulher é entender que dentro de mim habita uma força que habita em todas as fêmeas, uma força selvagem que nos foi tirada ao longo dos milênios para nos domesticar e sermos moldadas conforme nos impõem a cultura e a religião da sociedade patriarcal. É lutar contra o machismo, pela livre escolha e poder da mulher sob o seu corpo, por ser reconhecida pelos talentos, pelo fim da ditadura da beleza e da rivalidade entre mulheres, pela igualdade de gênero, pelo simples sair na rua sem ter medo de que seu espaço e seu corpo sejam invadidos. Ser mulher para mim é lutar. ” Kareen Sayuri

Toda mulher já ouviu isso: – Feche as pernas. Sente-se direito. Não fale alto. Tire os cotovelos da mesa. Seja boazinha. Seja paciente. Não seja muito simpática. Não seja chata. Controle seus impulsos. Você provocou. Não saia sozinha. Não viaje sozinha. A culpa é sua. Não seja muito magra. Não seja muito gorda. Não use roupa curta. Não saia de cara lavada. Não use muita maquiagem. Você provocou. Não seja muito extrovertida. Não tenha amigos homens. Não se ofenda com brincadeiras. Não leia muito. Não questione. Não fale tudo o que pensa. Não fique deprimida. A culpa é sua. Trabalhe. Seja independente. Não seja muito independente. Não seja egoísta. Namore. Case. Tenha filhos. Não tenha muitos filhos. A responsabilidade é sua. Cozinhe. Limpe. Lave. Passe. Cuide de tudo e de todos. Aguente firme. Pague as contas. Não reclame. Ignore a TPM. Engula o choro. Agradeça. Sorria e acene. Diga sempre que está tudo bem. Ser mulher em uma sociedade patriarcal e machista ainda é viver com medo, insegura, acuada, diminuída e sob pressão.

Pode não parecer, mas toda essa construção ainda tem grande efeito no nosso inconsciente e nossos costumes hoje. A mulher que decide não casar, falhou. A mulher que decide não ser mãe, deve ter algum problema. A mulher que decide seguir seus sonhos profissionais, abriu mão do seu destino: o casamento. Hoje já temos no Brasil o direito de votar (1932), de nos divorciarmos (1977) e fomos consideradas iguais aos homens em direitos e obrigações (1988). Somos líderes – poucas ainda, mas somos. E ainda existe um julgamento que vai além do nosso direito. Afinal, toda essa construção foi fruto de uma visão masculina sobre nós na arte, na bíblia, na moral. Isso é a cultura gritando o que podemos ou não ser.

Não somos perfeitas. Não precisamos ser. Somos seres imperfeitos que não querem mais caber em uma caixa. Queremos voar. Transformar. Queremos ser mulheres reais. Diferentes umas das outras. A igualdade não é errada. Não deve ser temida. Combatida. A igualdade liberta não só as mulheres, mas os homens também. Afinal, o mito da mulher perfeita não cabe mais nos tempos atuais. E quem quer viver nessa caixa?

Tem uma música que nos ensina muito, que diz assim: “Cada um de nós compõe a sua história / cada ser em si / carrega o dom de ser capaz / e ser feliz”. Então, se você escolher ser protagonista da sua vida, terá o dom de ser feliz e capaz, de decidir a mulher que deseja ser. Assim, procure escolher quais os passos que serão dados e para qual direção apontará a sua trajetória, assumindo a responsabilidade de compor sua linda melodia, deixando ela ecoar pelo mundo.