O valor da Empatia

A falta de empatia é doença?

Em tempos de pandemia, podemos perceber a falta de empatia que generalizada, será uma situação do momento vivido ou já tínhamos este comportamento anteriormente?

A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo – amor e interesse pelo próximo – e à capacidade de ajudar. Quando um indivíduo consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, desperta a vontade de ajudar e de agir seguindo princípios morais.

A capacidade de se colocar no lugar do outro, que se desenvolve através da empatia, ajuda a compreender melhor o comportamento alheio em determinadas circunstâncias e a forma como outra pessoa toma as decisões.

A habilidade de sermos empáticos, nos exige muito além da capacidade de ouvir, não basta ouvirmos o que o outro está dizendo para que sejamos empáticos, precisamos para isso, expandir nossa percepção para captar o que o outro está sentindo, que pode ser muito diverso ou estar muito além de suas palavras. Se você recebe um elogio, por exemplo, mas na hora sente que este elogio não está sendo sincero, você só conseguiu perceber isso pela sua capacidade de ser empático. Inegavelmente esta é uma habilidade que nos facilita relacionamentos, e pode nos privar de muitos contratempos no ambiente familiar e profissional, já que em posse do conhecimento de como a pessoa se sente em relação à nós ou a algo que compartilhamos, quer seja uma ideia ou projeto, podemos evitar certos comentários, ações que poderiam trazer desconforto, ou até mesmo antecipar possíveis surpresas desagradáveis.

Em sua quase totalidade, ambientes familiares ou profissionais saudáveis, são aqueles onde seus membros nutrem essa característica de serem empáticos, procuram se colocar no lugar uns dos outros quando há discordância de ideias, e se interessam de verdade em entender o ponto de vista do outro, para que a mediação sobre aquele ponto de discordância possa ocorrer, e todo o conjunto possa sair beneficiado e mais expandido naquela situação, achando um meio justo e democrático de lidar com as diferenças. Muitas brigas e desgastes desnecessários de tempo, energia e dinheiro são evitados em ambientes onde as pessoas tendem a ter essa personalidade empática, eu poderia até arriscar dizer que a harmonia da família ou da equipe, depende quase que totalmente dessa característica. Nos lugares onde essa habilidade não está presente, a luta para fazer sua ideia ou ponto de vista prevalecer vai aos poucos minando o espírito de união e convergência, aos poucos a estrutura e laços que uniam aquelas pessoas começam a ruir com o corrosivo do egoísmo e da intolerância, e todo o organismo sofre demasiadamente com esta postura, a queda é questão de tempo.

Um líder eficaz necessariamente precisa ter uma boa dose de empatia desenvolvida, pois poderá antecipar os pensamentos, comportamentos e até atitudes dos membros de sua equipe.

Tento dar ouvidos a minha alma e entender o que preciso pra ser uma pessoa mais leve, mais grata. Tenho falado tanto sobre isso por aqui… Algumas palavras chaves pipocaram na minha vida e quero colocar em prática todas as leituras e reflexões que chegam a mim. Quero parar de ficar cobrando das pessoas atitudes que eu mesma não tenho. O famoso “mais amor por favor” serve pra mim. Eu realmente quero pensar melhor antes de falar qualquer asneira ou sair julgando pessoas que não conheço. Quero verdadeiramente ter empatia.

Ser empático é se identificar com outra pessoa ou com a situação vivida por ela. É saber ouvir os outros e se esforçar para compreender os seus problemas, suas dificuldades e as suas emoções.

Quando alguém diz “houve uma empatia imediata entre nós”, isso significa que houve um grande envolvimento, uma identificação instantânea.

O contato com a outra pessoa gerou prazer, alegria, satisfação e compatibilidade. Nesse contexto, a empatia pode ser considerada o oposto de antipatia.

Para ser empático é preciso conseguir ultrapassar as barreiras do egoísmo, do preconceito ou do medo do que é desconhecido ou diferente.

A empatia pode ocorrer em todos os tipos de relacionamentos humanos: nas relações familiares, nas amizades, no ambiente de trabalho e até mesmo com pessoas desconhecidas.

Nas relações pessoais a empatia pode ser fundamental para a compreensão de dificuldades das pessoas com quem se convive, ajudando a diminuir e evitar conflitos.

O mesmo pode ocorrer no ambiente de trabalho, já que a empatia pode ajudar que um colega compreenda as dificuldades enfrentadas por outro.

A empatia entre pessoas que não se conhecem é a mais difícil de ocorrer, já que se caracteriza por um sentimento de compreensão com uma pessoa com quem não existe nenhum vínculo de afeto.

Entretanto, é importante saber que a empatia é um sentimento que pode ser praticado. Uma das maneiras de exercitar a empatia é treinar manter um olhar de afeto sobre as necessidades de outras pessoas.

A falta de empatia é uma das perturbações de caráter, não devida diretamente a uma doença, lesão ou outra afecção cerebral, mas usualmente envolve várias áreas da personalidade, sendo quase sempre associada à ruptura pessoal e social; uma anomalia do desenvolvimento psíquico, uma certa desarmonia da afetividade que se manifesta no relacionamento interpessoal.

Indivíduos portadores desse transtorno normalmente são vistos como problemáticos, de difícil relacionamento, de comportamento turbulento e de atitudes incoerentes e pautadas frequentemente apenas por sua própria satisfação pessoal. A incapacidade de colocar-se no lugar do outro pode chegar às raias da crueldade, pois traz uma indiferença por vezes perigosa e monstruosa, como na personagem  Cathy Ames, do romance “A Leste do Éden” de John Steinbeck, apresentada como uma sociopata que mata ou destrói a vida de todos que se interpõe em seu caminho.

O elevado nível de violência e delitos que enfrentamos no cotidiano de nosso país termina por reduzir a visibilidade deste transtorno de personalidade, e o sociopata só será visível dentro de um cenário forense, quando é classificado como psicopata, ao revelar seu imenso narcisismo, suas tendências sádicas, oportunismo e falta de empatia com o sofrimento alheio, fatores que frequentemente levam a conflitos. O transtorno de personalidade antissocial tem como característica o fato de que os portadores não costumam ser conscientes de suas dificuldades, agindo por impulso e sem censura aos seus desejos socialmente prejudiciais.

Entretanto, o que temos que ter em mente é que a desordem emocional e mental que leva uma pessoa a ser insensível à dor do outro pode ser muito mais que uma simples frieza, egoísmo ou animosidade.

Pode ter um grande sofrimento psíquico envolvido, evidenciado por uma dor interna que impossibilita a interação empática natural. Mas lembre-se: não tem qualquer problema em não se conseguir curar a ferida do outro se não estamos preparados para curar nossas próprias feridas.

Cada um possui seu tempo. Nem sempre o que funciona para alguém também funcionará da mesma forma para mim. Somos seres únicos e intensos. Agimos, sentimos e somos diferentes.

E isso tem que ser respeitado. Ao identificar uma pessoa com características relativas a um analfabeto emocional, tenha paciência e oriente na busca por ajuda de um profissional experiente, que possa auxiliar na definição correta de seu estado patológico – e também na classificação adequada das condições de vulnerabilidade psicológica em que ela se encontra.