Mulheres são julgadas desde o princípio. Se a menstruação ainda não veio, a expectativa familiar é tão grande como se fosse um evento. O corpo então, nem se fala. Mal é preparado já surge a fixação pela beleza, seguir um padrão que a sociedade impôs, e tantas coisas que nos massacram no dia a dia. E ainda nem ressaltei sobre as redes sociais e a questão da harmonização facial como exemplos.

São tantas ilusões e preocupações. Logo após vem a questão do casamento porque muitos não sabem lidar com autoestima, amor próprio, solidão. Afinal, não somos ilhas. Sou adepta do companheirismo e da cumplicidade. Cada um deve ser feliz como pode, quer, sem ofender ou desmerecer qualquer alma. Mas e a mulher que ainda não é mãe? E a que nem pretende ser?

Por diversos motivos que só ela sabe. Também existe um preconceito em perpetuar a espécie ou relatar que alguém deverá cuidar de você na velhice. Mas iremos morrer sozinhos, assim como nascemos também. Temos os cuidados dos nossos pais, nem todos, obviamente, mas são fatores a se pensar. Diversos papéis para seguir em uma sociedade que só explora, humilha, ataca.

Um exemplo do que temos de realidade é a minissérie “Maid” da Netflix, que já ultrapassou a marca de 67 milhões de espectadores que a assistiram. Quem for mãe irá se identificar na hora com toda a luta da protagonista em vivenciar os problemas de sobrevivência e familiares com sua filha. Quem não for mãe entenderá a história com empatia e dará crédito à uma luta de uma mulher que parece não ter fim.

A personagem ressalta na série que sua função é ser mãe e o que a mantém de pé para ir ao trabalho, conseguir os benefícios bastante burocráticos e a possibilidade de dar o melhor para a filha. Mesmo com tantos percalços pelo caminho, torcemos todos os minutos por ela. Torcemos para as mães solo que já representam 11, 5 milhões de mulheres brasileiras, segundo o Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E muitas estão vivendo abaixo da linha da pobreza.

Ser mãe é ser mal compreendida. É assumir mais papéis do que já tem. Mas é assumir com amor. É viver por aquilo. Que tenhamos solidariedade para ajudar como pudermos. Que elas consigam o retorno ao trabalho e à carreira. Que possam receber oportunidades iguais e educarem de forma efetiva uma criança. Principalmente, que tenham dignidade.