“Quando veio a saudade, foi demais a minha dor…”

A dupla Di Paullo e Paulino poderia muito bem cantar essa música hoje que seria atual em tempos de pandemia. Por tantas vidas ceifadas pela doença, pelas famílias que passam dificuldades que muitas vezes não são nossas, mas parecidas com outras, e por tantas perdas. Sejam pela doença ou não. Ouvi essa canção na noite do domingo passado em prantos.

Perdi a metade do meu coração, minha tia e madrinha amada que se foi sem me dizer adeus. Lembrei-me desta canção a qual ela gostava muito e escutava muitas vezes sozinha. Ouvi com o coração em pedaços, o golpe no estômago e os pés fora do chão. Ao receber mensagens de consolo e conforto dos amigos, uma das minhas amigas me alertou sobre a dificuldade do tempo vivido e da perda de tantos amores.

E olha que não era amor sofrido ou não vivido. Foi e será um amor verdadeiro, vivido e contínuo. Mesmo que ela não esteja presente fisicamente, estará em minha vida inspirando como agir. Como sempre ela fazia. Jamais vou esquecer da sua voz doce, suave e ao mesmo tempo imponente. Inclusive, ela não me sai da cabeça. Ela não se foi por conta dessa doença maldita, mas no período em que os velórios duram menos, as coisas acontecem rápido demais e tudo é revezado.

Ela se foi sem eu poder dizer adeus. Nem antes, nem durante e nem depois. Como existe uma distância entre nós, fui despedir-me somente algumas horas depois. Sem me culpar. Porque ali só batia a saudade. Mas a dor é contínua. Ao ler a mensagem do meu primo perguntando como eu estava, percebi, não sem tempo, de quantas pessoas enterraram seus amores da vida, seus pais, irmãos, primos e tios nessa pandemia.

E não foram poucas famílias. A ausência é sentida como uma presença enorme. Quero lembrar-me dela bem, feliz, com vida e sinto-me honrada por escrever sobre ela e como foi em vida. Um ser humano iluminado, uma benção em nossas vidas que continuará a ser. Que ela esteja em um lugar bonito, tranquilo, curando suas feridas. E quando puder, visite em vibração os seus queridos que aqui na Terra continuaram. É preciso manter a calma e o ânimo.

Talvez seja difícil pedir isso em meio às lágrimas. Cada um sabe da sua dor e de como enfrentar o luto. Que saibamos vivê-lo em paz. Que saibamos que o adeus é temporário. Nossa homenagem será manter sua memória viva. A dor é muito grande, mas peço a Deus que a minimize àqueles que estiveram presentes com ela no dia a dia. A saudade sempre virá. Contudo, que não venha com dor. Mas como uma brisa suave no calor. Assim como ela foi em cada vida.

“Quando veio a saudade, foi demais a minha dor…” (Di Paullo e Paulino)
In memorian de Marilda Martins Rosa