Que Brasil é esse?

 

Poderia começar escrevendo este texto como todos entoavam seus gritos nas favelas, boates, ruas, mas o que vemos é um país cantado por Renato Russo que até hoje não conseguimos responder. Porque a apatia nos sobressalta. Que Brasil é esse que não podemos mais usar a camisa da seleção brasileira de futebol para não ser confundido e intitulado como ‘bolsominion’? Que Brasil é esse que não conhece a Constituição, quanto mais a respeita?

 

Que Brasil é esse que tem 14, 7 milhões de desempregados ou como diz o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trabalhadores desocupados? Ainda poderia salientar que são ‘desocupados’ por falta de gestão, cuidado, interesse, movimentação da economia, distribuição de renda e por aí vai. Para não ficar tão pesado, quando não há a intenção de estar. Que Brasil é esse que temos que defender o básico? Que a impunidade não é o lenço branco da paz, e sim, do sangue do filho que se espalha pelo chão.

 

Que Brasil é esse que é tão mal falado internamente e no exterior? Porque afinal, não temos bons exemplos desde muito tempo. Mas os bons, graças a Deus, andam fazendo a diferença por aí ao ajudar o próximo, seu irmão, nas dificuldades. Não basta uma pandemia para tirar nossa paz, o pobre não tem um minuto sequer de paz. Cada dia é um golpe diferente. No estômago por falta de comida, na porta fechada por falta de emprego e tantas lamentações que dariam um livro.

 

Isso é tudo básico. Não estou pedindo maravilhas a cada um até porque o planeta não aguentaria tamanha exploração. A Mãe Natureza tão judiada já não aguenta mais as decepções e maus tratos de seus filhos. Ao invés de explorar sua energia positiva abraçando e plantando árvores, não. O bicho homem faz questão de destruir porque talvez ache que ela vá se recuperar. Se o mundo não para para consertarmos nossos corações partidos, imaginem o meio ambiente com tanta destruição? É só degradação.

 

Como jornalista estou cansada de ver, ouvir e ler tantas pautas com o mesmo viés de preocupação a todo momento e sempre na mesma época. Principalmente sobra novamente para o pobre que precisa fazer economia. Já faz a vida toda. Se o tempo seco chegou nós deveríamos nos planejar para que ele seja um pouco mais ameno. Mas só existe desperdício e reclamação. O inferno é aqui. Que Brasil é esse que parou de respeitar as relações, as pessoas e seus espaços? Que Brasil é esse que apostou em uma fortaleza, ajuda e união quando sairmos dessa? Ainda estamos nessa. A pandemia não acabou. O número de pessoas que vi não usando a máscara foi infinito. Perdi as contas. Que Brasil é esse que por enquanto não terei a chance de contar para os meus futuros filhos se assim eu tiver? Na verdade eu tenho vergonha das ações sem cabimento das pessoas e não do meu País. Mas na maioria das vezes é ele quem leva a má fama.

 

Espero que saibamos o que estamos fazendo, e para onde estamos nos levando porque tudo que se planta, colhe. Mas não pense que se plantar abacaxi irá colher morangos. Nada acontece por acaso e a magia não é assim. É preciso um tempo para cada coisa e nem fui eu quem disse. Reflitamos e saibamos agir em nosso próprio bem e com empatia ao outro antes que seja tarde demais e essa história viva mais tragédias e disputas.