Se escola é prioridade, por favor, vacinem os professores!

O Brasil não somente enfrenta a pior fase da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), como também se depara com uma enorme deficiência e sérias falhas na logística da vacinação.

Com as UTIs lotadas, em muitos estados estão com 100% de ocupação (além da lista de espera!), em alguns deles ações restritivas e lockdown são utilizados como mecanismos de contenção da transmissão do vírus em, outros, infelizmente nada ou quase nada tem sido feito. E assim, o país alcança o patamar de trezentos mil mortes causadas pelo coronavírus.

Os governos publicam planos de contingência, medidas sanitárias e normas determinando quais são os serviços essenciais, horários de funcionamento do comércio, das empresas e das escolas. Colocam na balança das prioridades, com uma certa dificuldade, os aspectos econômicos e a saúde pública, os limites coletivos e os individuais.

As mutações do SARS-CoV-2 aumenta o nível de transmissão e piorando os quadros de infecções mais graves, afetando, inclusive, crianças e jovens e essas variantes estão presentes no Brasil.

Os protocolos de higienização como o uso de máscara, de álcool em gel, o ato de lavar as mãos várias vezes, não levar as mãos à boca e aos olhos, são hábitos importantes para ajudar na redução da contaminação, mas, é a vacinação o instrumento mais importante para o alcance de resultados positivos na contenção do vírus.

O governo brasileiro perdeu tempo na compra de vacinas, em 2020, e a politização do tema acabou por gerar a tragédia vivenciada hoje com milhões de mortos e o colapso do sistema de saúde.

A vacina é uma necessidade para todos e somente a imunização em massa será capaz de reduzir a curva de contaminação e controlar essa pandemia que assolou o mundo.

Neste cenário catastrófico as escolas, consideradas serviços essenciais, estão retornando às atividades presenciais, entretanto, não é prioridade a vacinação dos professores e profissionais que atuam nas escolas.

E mesmo sem a obrigatoriedade das atividades escolares presenciais, quando os pais podem optar pela manutenção das aulas remotas, muitos professores estão dentro das escolas, ministrando as aulas e realizando as atividades pedagógicas.

Não há data no cronograma governamental para a vacinação dos professores e profissionais da educação e não é preciso ser especialista para concluir que a vacinação para eles é uma prioridade se as escolas permanecerem abertas.

Sem a comprovação da segurança necessária para que os professores realizarem as atividades presenciais, o risco da proliferação do vírus no ambiente escolar é muito alto. As escolas, sobretudo, as públicas, têm estrutura precária para seguirem os protocolos de higienização e manutenção do distanciamento necessário. Além disso, é muito difícil controlar os estudantes em relação à orientação de não colocar as mãos na boca, no nariz, nos olhos, não tirar a máscara e não trocar materiais escolares.

A finalidade não é tecer críticas ao retorno das aulas presenciais, pois, há que se ter em mente, por outro lado, a situação de estudantes vulneráveis que têm no ambiente escolar as principais refeições do dia, além da melhor oportunidade de desenvolvimento da saúde física e mental. Nesse mesmo contexto, outro aspecto que não foge à análise é a situação dos pais que precisam trabalhar durante o período em que os filhos estão na escola.

É a velha situação de estar entre a cruz e a espada e o processo decisório dos governos deve levar em consideração o que dispõe a Constituição Federal/88 (art. 27) e Estatuto da Criança e do Adolescentes (art. 4º)  no sentido de que é preciso assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, dentre outros direitos, o direito à vida, à saúde de forma prioritária.

Com as aulas remotas os estudantes podem sentir falta do convívio com colegas e professores e até é possível que ocorra certa perda de conteúdo, mas, são recuperáveis, enquanto que a perda da saúde ou vida, não!

Por isso vacinar os professores para proteger a vida das crianças e adolescentes nas escolas é, sem dúvida, exercício de cidadania!