Você e eu, eu e você – Onde foi que o amor se perdeu?

Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu
Juntinhos
Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu

Juntinhos, sempre lado a lado
Vamos ver o dia amanhecer
Enrolados nesse abraço louco
Nunca mais você vai se esquecer

Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu
Juntinhos
Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu

O nosso caso estava previsto
Este nosso encontro casual
No entanto eu nem sabia
Que seria assim sensacional

Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu
Juntinhos
Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu

Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu
Juntinhos
Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu

Então não percamos tempo
Vamos desta vez nos divertir
Jantar juntos, dançar juntos
E depois, então, vamos dormir

Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu
Juntinhos
Você e eu, eu e você
Eu e você, você e eu

Compositores: Sebastião Maia

 

Quem dera viver o relacionamento perfeito citado na música acima, não é mesmo?

Onde foi parar isso tudo?

 

O contexto da vida nos últimos tempos, tem sido o desafio de compreender como sentir amor e como espalhar amor. Esse desafio engloba vários aspectos, principalmente como me livrar do ideal romântico de amor que me foi imposto através da história e como criar uma nova lógica ao me relacionar com o outro.

Vivemos em um mundo cheio de expectativas quando se fala de relacionamentos amorosos. Em apenas um date, costumamos idealizar toda a história. Já analisamos coisas que a longo prazo podem nos deixar com raiva ou focamos em coisas que aquela pessoa pode nos trazer. Sim, e eu sei que todos nós sabemos que isso é errado, mas nós fazemos sempre, nós repetimos sempre este comportamento.

O que é se envolver? É idealizar ou esperar algo do futuro? Porque, para mim, o envolvimento já é feito assim que você está com o outro. Ou será que estamos tão presos em nossas expectativas que o momento presente acaba não tomando conta de nós?

Nos preocupamos tanto com o depois e com o que o outro está pensando sobre nós, que esquecemos que aquele momento já é em si um envolvimento. Você esteve com o outro, vocês partilharam um momento que deveria ser considerado divino, mas no minuto seguinte, são apenas frases desconexas pairando em sua mente: “o que será que ele espera de mim?”. E então, uma grande barreira é criada. Não nos damos nem o prazer de conhecer o outro, porque já imaginamos que pode haver um “envolvimento” (que na verdade aconteceu), mas não queremos dar continuidade porque provavelmente existe aquela pessoa que vai fazer você tremer de primeira.

É complicado para nós entender como é sentir amor. E difícil entender que o amor se manifesta em diversas formas. Só o sexo, em si, já deveria ser considerado amor. Mas como fomos ensinados a deturpar tudo, transformamos sexo em um passatempo vazio e nada divertido, onde sempre, alguma das partes sofre, geralmente as mulheres que são mais sentimentais e se entregam de cabeça, já somos biologicamente diferentes e ainda temos a carga histórica de um machismo tremento, medonho, que insiste em nos rebaixar e/ou subordinar.

Nos relacionamentos modernos, as pessoas tendem a achar que, quanto menos demonstrarem que se importam, mais estarão por “cima” na relação. Quem se importa menos tem o poder e, às vezes, não ligar para o que o outro sente não é nenhum problema, grande engano, pois perde-se oportunidades que pessoas maravilhosas que vão embora pois aprenderam a se amar e se valorizar e procuram algo recíproco.

Dentro dessas relações, às vezes, as pessoas esquecem de dar valor as coisas que o outro faz. Você acaba se desdobrando pela pessoa, fazendo de tudo por ela, mas quem disse que ela tem capacidade de dar valor e ser grato ao que você fez? A sensação é de ele sempre te trata como qualquer uma.

Infelizmente, como complemento do falado acima, muitas pessoas acreditam que, em seus relacionamentos, estão competindo com o parceiro. Tudo é questão para achar que o outro é melhor ou está por cima na história, mesmo nas coisas ruins. Vence quem fizer o outro pedir desculpas primeiro… e o pior a pessoa está só e submete a outra a isso tudo pelo mero prazer, ao invés de viver uma linda história de amor.

Por incrível que pareça, muitas pessoas preferem estender meses ao lado de alguém sem nunca assumir um relacionamento sério. Inclusive, o relacionamento na prática está quase entrando em extinção.

Hoje em dia, está difícil de separar as coisas e conseguir identificar quem é que está realmente interessado em você. Mesmo com um parceiro ao seu lado por meses. As pessoas forçam o desapego não respondendo mensagens ou demorando horas ou até mesmo dias para isso, deixando ligações passarem, fingindo que não sentem falta, negando um sentimento que os tornaria plenos…

Nos relacionamentos atuais as conversas estão cada vez mais escassas. As vezes, o relacionamento já dura algum tempo e só alguns meses depois é que os envolvidos vão perceber que, na verdade, não têm nada em comum, pois não há amizade, simpatia, reciprocidade e muito menos envolvimento. Ficam tanto tempo presos nos celulares, nos  trabalhos, no status e sem olhar para o lado que sequer percebem essas coisas.

Mesmo que goste muito de você, a pessoa terá total repulsa por fazer planos, por estar ao seu lado. É como se você precisasse “se encaixar na agenda” do outro para ter algum espaço. Isso quando as coisas não mudam de última hora e a pessoa prefere fazer outra coisa a cumprir o combinado com você, como desculpas esfarrapadas e mentiras bem perceptívies.

A moda do desapego faz com que as pessoas ajam de forma estranha umas com as outras. Nessa de mostrar que não se importa, aparece muito um tal de “amor condicional” que funciona na base “te amo, mas só se você me amar de volta” ou “te amo até você deixar de me amar”. Pode?

Ninguém sabe o que é dentro do relacionamento do outro, mas têm se tornado cada vez mais normal que as pessoas desenvolvam duas personalidades: uma com o parceiro e outro com os demais. Dentro da relação ele pode ser alguém indiferente, mas na frente dos outros é um amor de pessoa e assim vice-versa.

Por que não se entregar de cabeça, viver uma história de amor, sem pensar tanto, como era antes? Precisamos repensar nossos hábitos e posturas mediante o outro, só assim aprenderemos o que é amar de verdade.

As falas são as mesmas ninguém se envolve, ninguém sabe amar, mas e você o que está fazendo que não muda esta realidade?

 

Bora amar meu povo!!!!!!!